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21.2.13

Avestruz






Quem, como eu, viveu mais de 20 anos no deserto do Namibe e presenciou a avestruz no seu habitat natural, acha, no mínimo, estranho o "provérbio" ou o dito "meter a cabeça na areia como a avestruz".

Esta ave não faz nada disso, posso eu garantir.

Há alguns anos fiquei abismado com um jornalista que, a pretexto de qualquer coisa que pretendia dizer sobre jogadores de futebol, escreveu algo como isto: "olhos mortiços e cara de estúpido como a avestruz". Coisas de quem se mete a dissertar sobre aquilo que não conhece e que se socorre, alarvemente, de lugares-comuns.

Antes do mais a avestruz nunca apresenta olhos mortiços, tanto assim que os seus olhos são os maiores do mundo ornitológico. Depois porque se alguma coisa há que é característica desta ave é, precisamente, o seu olhar: sempre vivo, perscrutando atentamente o território, alerta constante contra os predadores.

Esta é apenas uma das características que fazem com que, depois do seu surgimento na Terra, no Eocénico, entre 40 a 55 milhões de anos atrás, este animal continue vivo. Se tivesse os comportamentos que lhe apontam, não teria sobrevivido.

É este o sentido da estupidez humana: atribuir a outros a sua própria ignorância.

Para saber isto e algo mais descarregue o ficheiro

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